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O bem-estar na vida profissional.

Atualizado: 10 de mar. de 2022




Felicidade versus Bem-estar

Quando a gente olha a palavra felicidade com amplitude que ela tem, fica bastante complexo chegar em algum lugar. Hoje em dia, socialmente, já se pede que a felicidade seja uma meta de vida. E aí a gente precisa fazer a primeira separação. Existe uma coisa que é chamada bem-estar, com muita gente séria estudando e se preocupando com isso, me incluo nesse grupo e outra muito vaga que é chamada de felicidade.

Bem-estar é você estar bem com a sua vida, lidar com ela, incluído aceitar, vivenciar e lidar com os três “Is”; imperfeições, impossibilidades e infortúnios.



Mãe e filha saindo da Ucrânia em guerra, com o que podem carregar.

Veja que estão bem, conversam e sorriem.

Com certeza não estão felizes por deixarem casa, país e um futuro imaginado para trás.



Felicidade é melhor quando usada como sinônimos de satisfação ou alegria, que são estados passageiros.

Agora felicidade como situação eterna, onde se está muito bem, acima de tudo, alegre e satisfeito o tempo fica mais próxima de doença mental do que de bem-estar real.


Carreira, ocupação, momento e profissão

Para estarmos na mesma página, algumas breves interpretações:

Profissão aquilo em que você se prepara, foca e investe tempo. Comumente é sua área de formação, mas isso pode mudar no decorrer da vida. Por exemplo, sou engenheiro eletrônico por formação, mas é mais justo dizer que gestão de desempenho humano é minha atual profissão, pois é nisso que invisto meu tempo e esforços.

Ocupação, o que você faz de forma remunerada em troca de seu trabalho.

Ambiente profissional, a situação para a realização da sua atividade profissional, que inclui a empresa, local de trabalho, liderança etc.

Carreira, as ocupações que se sucedem na sua vida profissional e as que você almeja, de forma controlada ou não.


Bem-estar na vida profissional

Como já explorado em outro post ( Dá para ser feliz no trabalho? ), o tempo de vida investido na preparação para e no mundo do trabalho é demais significativo para ser desprezado.

A partir daqui o texto é somente para você que está buscando que o tempo na vida profissional seja o melhor possível. Se não for o caso pode para a leitura por aqui.

O que virá a seguir é muito baseado em psicologia positiva, inúmeros autores modernos relacionados ao comportamento humano, dezenas de vivências como executivo em desenvolvimento de pessoas e consultor de gestão de desempenho e décadas de curiosidade sobre a natureza humana


Bem-estar na profissão

Por mais clichê e conhecido que isto seja, tenho que ressaltar que é muito difícil estar bem, trabalhando continuamente com coisas que você não tem interesse.

Você gasta muita energia para estar presente e entregar. O jeito mais simples de perceber isso é que ao realizar atividades em áreas que não te interessam os minutos viram horas, o seu resultado tende a ser (muito) menor em comparação com quem está fazendo o que gosta e na primeira oportunidade você está fazendo alguma coisa mais interessante.

Posso afirmar que muita gente entra numa profissão, por desconhecimento de si próprio, desconhecimento ou descrença em opções, circunstâncias econômicas ou pressões sociais.

Circunstâncias acontecem com todos, mas isso não quer dizer que você tenha que se submeter passivamente e eternamente a elas.

A família e o ambiente social têm um peso enorme no início profissional particularmente falando de decisões tomadas quando se é criança ou adolescentes, mas uma vez adulto existem opções a serem avaliadas e checadas.

Para desespero de meu pai, um senhor bastante conservador, fui fazer análise vocacional no penúltimo semestre do meu curso de engenharia, por sorte minha já estagiava e pude destinar parte dos ganhos para essa análise, o que permitiu ajustes já no começo da vida profissional. Os ajustes não foram brutais, terminei o curso de engenharia, mas consegui me deslocar para a área de treinamento, muito mais próxima da minha natureza e expectativas profissionais.

Recentemente, tive a oportunidade de ajudar uma jovem cuja pressão familiar a levava para medicina, no decorrer dos encontros ela descobriu que a área de direito era o para ela valeria se esforçar. Provavelmente poderíamos ter ganhado uma péssima médica e perdido uma ótima advogada.

Mas existem muitos adultos que insistem em manter a aposta, mesmo depois de já terem percebido sua inadequação profissional. Você os encontrará produzindo menos, atendendo mal, tendo menos escrúpulos do que seria esperado, acreditando que o problema está no chefe, na empresa, nos governantes, sofrendo profundamente no domingo à noite e torcendo para que a aposentadoria chegue logo para finalmente serem felizes. Acho muito triste esse desperdício de vidas inteiras.

Caso você conheça alguém nessa situação, o caminho mais simples (de falar) é analisar seu perfil pessoal e verificar como a sua profissão dá vazão a ele. Se você, por exemplo, é uma pessoa extremamente curiosa e sua profissão é burocrática, algo precisa ser feito para que o criativo não morra de segunda a sexta-feira.

Eu particularmente utilizo as 24 forças mencionadas na Psicologia positivas versus as competências mais comuns necessárias para uma dada profissão, mas existem outras metodologias para encontrar esse “match” entre o indivíduo e sua profissão.

Seja qual for o método, sugiro que seu amigo nessa situação de sofrimento profissional permita-se buscar um caminho para estar bem profissionalmente.


Bem-estar na ocupação

Muita gente sabe qual a profissão lhe seria mais adequada, porém não consegue dar vazão a isso, pois necessita de proventos para sustentar uma família ou a si próprio e/ou não consegue se alocar com a profissão desejada

Talvez o caso mais conhecido dessa situação; seja do mais que famoso cientista Albert Einstein. Após ter concluído sua formação em física, Einstein foi “obrigado” a trabalhar entre 1902 e 1908 como escriturário, examinando patentes, a fim de se sustentar e a sua recente esposa. Somente em 1909 consegui seu desejado emprego numa universidade.

Durante esse período, ele escreveu quatro dos seus principais estudos incluindo o da famosa E=mC² e sobre o efeito fotoelétrico que lhe deu o Nobel em 1921.

Em casos como esses, que infelizmente são bastante comuns, o que sugiro é diferenciar, como aqui e como feito por Einstein. Aceitar sua ocupação como uma passagem, e alavancar o quanto possível a sua profissão; através de estudos, atividades “pro bono”, artigos, encontros com profissionais dá área desejada. Até que sua profissão e ocupação possam se juntar.

Einstein uma pessoa muito inteligente, demorou uns seis anos, você talvez demore menos ou ainda mais. Tudo é muito circunstancial para que alguém possa afirmar o tempo necessário para corrigir a situação.

Quanto tempo é aceitável para esse esforço extra? É algo muito pessoal, a pergunta mais interessante é quanto tempo é aceitável para você investir num futuro melhor?

Existe uma opção, que sugiro, para quando não houver mais energia para investir, que é tratar sua vocação como um “hobbie”, isso permitirá dar vazão ao seu melhor, não o esquecer e aguardar para um momento melhor.


Bem-estar no ambiente profissional

Para muitos trabalhadores e empresas ocorre confusão entre, profissão, ocupação e ambiente profissional. Essa ausência de separação impacta principalmente nos papeis de cada um, criando expectativas falsas das partes.

Exemplo disso vem dos colaboradores que esperam que sua empresa seja a responsável pela vazão das expectativas de realização profissional, no outro sentido, as empresas esperam o melhor dos colaboradores por darem a eles uma ocupação.

Como introduzido em nossa página (https://www.leren.com.br/sobre-nos) o ambiente profissional que traz o melhor do colaborador é: estimulante, fornece suporte, facilita o melhor do colaborador e principalmente considera que está lidando com seres humanos.

Do ponto de vista, do colaborador a grande importância do bem-estar no ambiente de trabalho é ter um local onde o seu melhor possa vir à tona, ninguém mesmo sem uma clara consciência disso, quer desperdiçar seu tempo de vida “sofrendo”

Na perspectiva da empresa, trazer à tona o melhor do colaborador representa mais resultados diretos e perenes.

Voltando a sequência profissão, ocupação e ambiente profissional

As questões que mais bloqueiam o bem-estar no ambiente profissional e que correspondem ao papel da empresa, são lideranças inadequadas, ausência de suporte e/ou direcionamento no desenvolvimento na empresa além de processos inumanos.

Quanto ao colaborador, muitas vezes este tem expectativas falsas, como esperar ser diferenciado, mesmo que nada diferente seja entregue. Por sinal colaboradores, que literalmente sofrem com uma ocupação errada, por consequência de uma escolha profissional errada esperam muitas vezes que esse sofrimento seja reconhecido, ou pago.


Bem-estar na carreira

Carreira, curiosamente, é consequência do que a pessoa faz em relação a energia e decisões relacionadas aos fatores anteriores (profissão, ocupação, ambiente de trabalho) e ... acasos.

Quem não quer uma carreira ascendente, com reconhecimento, desafios interessantes e qualidade de vida?

Porém, uma carreira não é diferente de uma história de vida, não é?

Meu pai dizia que o humano propõe e Deus dispõe, demorei para entender que ele queria dizer que podemos lidar com nossos desejos, nossos esforços e nossas atitudes, mas a incerteza existe gostemos ou não.

Nosso mundo focado no resultado tangível, clama sucesso atrás de sucesso demonstrável. E a verdade é que nem todas as profissões, ocupações e ambientes de trabalho irão proporcionar isso.

Temendo ser visto como piegas, o bem-estar pessoal ocorre sempre no presente, e carreira é sempre história ou ficção.


Palavras finais

Assim apesar do imenso desejo humano de controle, minha recomendação é que se foque em ter a profissão adequada para você, encontrar uma ocupação que permita realizar essa profissão dentro de um ambiente que incentive e permita o seu melhor. Buscando isso, a carreira será a melhor consequência possível que o que acaso ajudar ou atrapalhar.


 


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