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Dá para ser feliz trabalhando?


No final dos anos 80, um engenheiro em vias de se formar estava com muitas dúvidas se escolhera a profissão correta, a efetivação numa empresa de ponta era garantida na área que se destacava. No entanto, durante o ano estava ficando claro que um laboratório e uma tela não iriam deixá-lo feliz. As opções eram ser efetivado numa área em crescimento ou encontrar outra atividade.

A situação real acima, é comum, e continua ocorrendo em momentos diferentes da vida das pessoas além do primeiro emprego. E num mundo onde falta emprego talvez pareça melhor deixar preocupações tão etéreas como a felicidade de lado.



Sim, o estomago e abrigo vem primeiro, mas quanto vale só sobreviver? Quando tudo dá certo uma pessoa passa cerca de 1/3 de sua vida adulta trabalhando, 1/3 dormindo e outro terço comendo, se deslocando, se higienizando e fazendo outras coisas como criar filhos e assistir series da Netflix.

Ser infeliz durante um terço da parte da sua vida mais ativa; parece uma condenação bem dura, não é?


O que é essa tal de felicidade?

Pulando as inúmeras possibilidades filosóficas, felicidade não é só: - alegria, euforia, paz de espírito, satisfação, tranquilidade etc.

Felicidade, é em termos psicológicos mais próximo de um estado de plenitude quando também existem mais emoções positivas que negativas, praticamente é “estar bem” de uma forma não momentânea.


O "Estar Bem" é ESPECÍFICO de cada pessoa

Você já deve ter ido numa festa onde você se pergunta, por que só você não está se divertindo, ou ainda porque aquela pessoa não está se divertindo tanto quanto eu?

Estudos com gêmeos separados na infância, demonstraram que cerca de 50% da sua capacidade de estar bem depende da genética, cerca de 30% do seu histórico/crenças e o demais de como você lida com as situações.

Assim enquanto seu amigo se realiza ganhando uma corrida de karts, você está mais interessado em discutir porque existem tanto corruptos e seu outro amigo está chorando pelo 15.º relacionamento perdido do ano.

Somos diferentes apesar de muito parecidos.

Na busca por caminhos para ajudar as pessoas a encontrar esse estar bem estudiosos de psicologia chegaram as principais forças que podem caracterizar cada pessoa, por sinal são 24. Foi um estudo com milhares de pessoas, feito em diversos países, culturas, faixas etárias, gêneros e religiões.

Para uma pessoa; a principal fortaleza pode ser a curiosidade e para outra por exemplo a justiça. Todos temos essas 24 forças em graus diferentes.

Forças indicam onde existe mais chance do seu melhor aflorar

Você pode comparar essas fortalezas de caráter com características físicas para entender melhor.

Imagine o melhor velocista; Usain Bolt com seus 86 kg e 1,96 m



Versus um dos melhores ginastas Kohei Uchimura com seus 54 kg e 1,61 m



é claro que a compleição física tem um peso grande no resultado de cada um. Se eles experimentassem trocar de esporte poderíamos apostar alguns milhões que teríamos um péssimo velocista e um ginasta horrível, assim seria também a realização de cada um deles, nessas novas atividades.

Isso também é valido para as forças de caráter, podemos afirmar que uma pessoa com honestidade como uma de suas fortalezas poderá ser um ótimo repórter e uma com amor a beleza pode originar um excelente artista. Essa facilidade em atuar numa determinada área confere vantagens que resultarão numa entrega melhor e mais satisfação na atividade criando um círculo virtuoso. Assim como o contrário é verdadeiro.


O Flow como meta

O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi mostrou o grande impacto em produtividade e satisfação obtido ao atingir um estado de integração pleno com as atividades do trabalho, nesse estado o desgaste com a atividade e a percepção de tempo diminuem permitindo mais resultados num tempo menor.

Esse estado depende do equilíbrio entre capacidade e dificuldade, dependendo, portanto, da capacidade do indivíduo em se conhecer; aceitando suas limitações e necessidades de melhorias.


Onde termina o individuo e começa a parte da empresa

Então você pode estar desenvolvendo atividades relacionadas a sua fortaleza, conhecer suas limitações, mas a partir daí existe o contexto da empresa.

Gestores não preparados, falta de oferta de capacitação, metas irreais, processos improdutivos, ambiente psicologicamente ou fisicamente tóxicos são elementos que podemos lidar por certo tempo e dentro de limites.

Enfrentar um emprego com uma ou mais das situações descritas acima, pode ser justificável por uma realidade imposta por circunstância do ambiente (crises financeiras, demandas familiares, desastres etc.).

Neste caso é importante ficar atento para não nos acostumarmos com a situação além da realidade e dos fatos, verificar se não existe um hábito instalado ou mesmo uma descrença na possibilidade de mudar.


Olhar de frente

Todos os pontos levantados acima demandam coragem, determinação, planejamento e principalmente acreditar na importância do tempo da sua vida e de que trabalho não é uma forma de castigo. Esse encarar foi chamado Agilidade Emocional pela psicóloga Susan David


Sumarizando

Existe toda uma linha de estudos em psicologia, indicando a importância e a possibilidade de ser feliz numa atividade profissional.

A primeira etapa é encontrar o alinhamento entre suas forças de caráter e sua atividade profissional

A segunda etapa é buscar manter o nível correto entre as suas capacidades e os desafios aceitos

Avaliar seu ambiente de trabalho (gerenciamento, cultura, valores, colegas, etc.) sobre o quanto ele permite trazer o seu melhor e a realidade do porquê você permanecer ou não nesse local.

Finalmente acreditar na possibilidade de felicidade no trabalho, ter coragem de se conhecer e perseverança para escrever seu próprio caminho

E o que aconteceu com o personagem inicial

Ele encontrou seu caminho na área de treinamento técnico e posteriormente em educação corporativa, até hoje se move pela crença que as pessoas podem ser o melhor de qualquer empresa. Nem sempre isso é fácil em especial em momento de crises econômicas quando o medo impera nas empresas e falar sobre felicidade soa como delirante...será?




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